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Boletim de Oportunidades
25/02/2010 - Edição Nº 007

Revista Brazil Export


IBRAVIN

1- Ibravin e Sebrae firmam convênio no valor de
R$ 2,89 milhões

Recursos serão aplicados em 2010 e 2011 no Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Vinhos, Espumantes e Sucos de Uva, que alcançará oito estados no Brasil.

O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) assinaram, na quarta-feira (10/02), em Brasília, uma parceria inédita para a implantação do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Vinhos, Espumantes e Sucos de Uva. O investimento para os dois anos (2010 e 2011) do programa somará R$ 2,89 milhões entre Ibravin e Sebrae (cada entidade entra com a metade do valor). O presidente do Ibravin, Júlio Fante, disse que a parceria com o Sebrae é histórica. “Há muito tempo vínhamos procurando uma maneira de atender um desejo antigo do setor, que é de implantar as inovações tecnológicas necessárias ao nosso desenvolvimento futuro”, salientou. “Vamos realizar um amplo diagnóstico do setor, combinado com a implementação das soluções propostas”, destacou.

As ações, que envolvem todos os elos da cadeia produtiva, terão três eixos fundamentais: estruturantes, gestão do conhecimento e inovação tecnológica. Fante disse que o programa buscará estabelecer um padrão ampliado de qualidade, indo além do que a legislação prevê hoje. “Queremos nos antecipar ao futuro”, revelou, citando que serão trabalhados conceitos como as Boas Práticas de Elaboração de vinhos e derivados e a APPCC (Análise de Perigos Pontos Críticos de Controle para Alimentos), que em breve serão exigidos pela lei. Paralelamente, serão identificadas as iniciativas ligadas ao Enoturismo, procurando o seu aperfeiçoamento e qualificação.

O diretor-executivo do Ibravin, Carlos Raimundo Paviani, explicou que o programa terá aplicação prática imediata, com as micro e pequenas empresas do setor vitivinícola. A intenção é conquistar a adesão de 100 empresas em oito estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia (estes dois últimos do Vale do São Francisco). “O programa vai capacitar, disseminar informações e orientar as empresas na produção, registro e comercialização dos seus produtos”, disse Paviani. A contrapartida das empresas que aderirem ao programa pode ser econômica e não somente financeira.

Os primeiros seis meses de trabalho serão dedicados à realização de um amplo diagnóstico da produção vitivinícola nacional. O levantamento buscará conhecer cada região produtora de uvas e derivados do Brasil, buscando saber quantas empresas existem, qual é a produção de cada uma e, principalmente, qual é a tecnologia que cada empresa possui. “A ideia é sensibilizar as empresas a aderirem ao Cadastro Vinícola Nacional”, afirmou Paviani.

O diretor administrativo e financeiro do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, destacou que uma das principais ações do programa será comunicar a qualidade do vinho brasileiro para os consumidores de todo o País. “O setor atingiu um nível de excelência muito grande, que só tende a aumentar, mas que ainda não é reconhecido pelas pessoas, especialmente no Brasil”, observou.


Resultados pretendidos pelo Programa:

  • Aumentar a comercialização do vinho nacional.
  • Aumentar a participação de mercado do vinho nacional.
  • Capacitar as empresas envolvidas para o mercado nacional.
  • Melhorar a imagem do vinho brasileiro no mercado nacional.
  • Facilitar o acesso às informações de mercado para as pequenas e médias vinícolas.
  • Capacitação de consumidores e formadores de opinião.
  • Ampliação da visão dos empresários do setor para a importância da integração com o objetivo de alcançar resultados comuns.
  • Atingir a participação integrada das empresas e entidades vitivinícolas, considerando inclusive os novos pólos produtores.


Clique nas imagens abaixo para ampliá-las ...




Júlio Fante, Arnaldo Passarin, Afonso Hamm, Cristiane Passarin e Carlos Paviani
Foto: Edison Castêncio





Paviani e Julio assinam convênio com o Sebrae em Brasília
Foto: Edison Castêncio






2- Suco de uva brasileiro 100% natural estreia na Gulfood
em Dubai

Cinco empresas participam da maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio, levadas pelo Programa de Desenvolvimento Setorial do Suco de Uva, desenvolvido em parceria por Ibravin, Ibraf e Apex-Brasil

A estreia das empresas brasileiras produtoras de suco de uva 100% natural na Gulfood, maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio, ocorreu no domingo (21/02), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Aurora, Casa de Madeira, Sinuelo, Panizzon e Natural Products (Suvalan) ocupam o espaço do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho) no estande de 90 metros quadrados do Ibraf (Instituto Brasileiro de Frutas), que participa pela terceira vez da feira, com encerramento marcado para o dia 24 de fevereiro.

Os Emirados Árabes Unidos são vistos como um local estratégico para o suco de uva 100% natural brasileiro, por isso a presença nesta feira é obrigatória e deve render bons negócios”, afirma a coordenadora do Programa de Desenvolvimento Setorial do Suco de Uva, Raquel Rohden, que está em Dubai acompanhando as cinco empresas. O programa, criado em agosto do ano passado, já conta com a adesão de 19 empresas (Aurora, Casa de Madeira, Garibaldi, Galiotto, Irmãos Molon, Panizzon, Campestre, Perini, Mena Kaho, Natural Products, Cooperativa Monte Vêneto, Cenecoop, Battistello Terragnolo, Sinuelo, Catafesta, Golden Sucos, Cooperativa Aliança e Muraro). Ele é desenvolvido por meio da parceria entre o Ibravin, o Ibraf e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Segundo Raquel Rohden, o Brasil é conhecido no mercado externo pelo suco concentrado. “O objetivo do programa é divulgar o suco de uva 100% natural pronto para beber, que tem maior valor agregado”, esclarece. Como há a proibição de consumo de bebidas alcoólicas por questões religiosas, o suco de uva tem tido uma demanda crescente no Oriente Médio. “Os países árabes, tendo Dubai como porta de entrada, apresentam boa renda e atraem milhares de turistas em todas as épocas do ano”, observa Raquel, acrescentando que a imagem favorável do Brasil oferece grandes oportunidades aos produtos verde-amarelos ofertados nestes países.

Ao lado de Estados Unidos, Canadá e Angola, os Emirados Árabes Unidos estão entre os quatro mercados-alvo para a promoção brasileira do suco de uva 100% natural neste e no próximo ano. Para os dois anos seguintes, também serão trabalhados países como Chile, Colômbia, Guatemala e Venezuela. “A diversidade de uvas existentes no Brasil, que deixa o suco mais saboroso, é um dos maiores diferenciais do nosso suco de uva”, opina Raquel Rohden.



Histórico:

A decisão das empresas brasileiras de participar da Gulfood 2010 nasceu após uma missão técnica do Ibravin a Dubai, em 2009. A convite da Apex-Brasil, três empresas (Aurora, Lidio Carraro e Miolo) participaram do evento Sabores do Brasil, realizado no Hotel Intercontinental em Dubai nos dias 21 e 22 de fevereiro do ano passado. O destaque do jantar de gala do evento foi o suco de uva 100% natural da Aurora, que acabou conquistando um importador para o Oriente Médio, durante as rodadas de negócios realizadas no dia seguinte.

A gerente do Wines from Brazil, Andreia Gentilini Milan, que acompanhou as visitas em Dubai em 2009, ressalta que o grande atrativo do suco é que ele não tem similar no mercado do Oriente Médio. “É puro, natural, sem adição de água, açúcar nem conservantes”, enumera. A gerente executiva do Ibraf, Valeska de Oliveira, diz que os produtos brasileiros são bem aceitos pelos árabes e a receptividade pelas empresas locais também é grande. “A Gulfood é a principal feira do Oriente Médio para os nossos produtos”, assinala.



Números :

A última safra (2009) de uva do Rio Grande do Sul, Estado responsável por cerca de 90% da produção brasileira, resultou na colheita de 207 milhões de quilos de uvas comuns (americanas ou híbridas). A novidade é que 45% deste total foi destinada para a produção de suco de uva. Nos anos anteriores, a média ficava em 30%. “Isso se deve à crescente aceitação dos consumidores ao suco de uva, especialmente o 100% natural, que não contém adição de água nem açúcar”, afirma o diretor-executivo do Ibravin, Carlos Raimundo Paviani.

O dirigente salienta que o mercado de suco de uva tem crescido a uma média de 15 a 20% por ano, sendo que os sucos naturais têm incremento ainda maior, ao redor de 40%. “Toda a produção tem sido absorvida, o que leva as empresas a apostarem nesse produto”. Em dois anos, a comercialização de suco de uva 100% natural aumentou 86% no Brasil, passando de 13,7 milhões de litros em 2007 para 25,5 milhões de litros em 2009.

A produção de suco de uva do tipo integral/natural no Rio Grande do Sul foi de 18,3 milhões de litros em 2008. Nos anos de 2001 e 2002, a produção era de 2,8 milhões de litros. Em 2003, 3,5 milhões de litros. Em 2004, 4 milhões; 2005, 6 milhões de litros; e 2006, 8,6 milhões de litros de suco de uva 100% natural.



A peculiaridade do suco de uva brasileiro:

De acordo com o enólogo Adolfo Lona, uma das virtudes de todo suco natural é ter características organolépticas marcantes da fruta que o gerou. No caso dos sucos de uva, os provenientes de variedades de origem europeia, utilizadas para obter vinhos finos como Chardonnay, Riesling, Merlot e Cabernet Sauvignon, não apresentam as características da casta. “São neutros, sem graça”, diz ele. “Já os elaborados a partir de uvas da espécie Americanas e/ou híbridas como Concord, Seibel e Isabel – abundantes na Serra Gaúcha – são extremamente ricos em aromas e gosto de uva”, assegura Lona.

É por este motivo que o suco brasileiro é muito apreciado e raro, porque na grande maioria dos países produtores o cultivo das espécies americanas é proibido, como na França, por exemplo. Tradicional produtor e exportador de suco concentrado, o Rio Grande do Sul possui indústrias existentes desde a década de 70, estando entre as mais modernas do mundo. Adolfo Lona garante que o consumidor que provar o suco de uva brasileiro irá descobrir um produto natural saboroso, puro, integral e sem álcool. E mais: “que reúne todos os benefícios à saúde que os derivados das uvas tintas oferecem devido à presença do resveratrol”.


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    Luis Carlos Pinheiro .'. Administrador da Brazil Export Newsletter

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